Ando, logo existo.
Observo, logo, resisto.
No story sou apocalíptica, no texto grande sou o contrário disso, seja lá qual for a palavra. Talvez cronista ou apenas alguém que ainda acredita que observar o mundo é uma forma de gostar dele.
Hoje fui caminhar pelo meu bairro e passei por lugares que normalmente evito quando corro, pois tem mta gente, muito semáforo, mto movimento. Engraçado que tudo isso que evito correndo, gosto quando tô andando. Gosto de ver pessoas, dar bom dia para desconhecidos, ver a Lôra, amiga que mora embaixo da ponte dos bandeirantes varrendo e cuidando da sua “casa”, ou o Seu Juarez meu outro amigo que recolhe papelão me mostrando como tá forte e magrinho puxando a carroça, ou observar a roupa das pessoas, as mulheres andando de salto na faria lima, as casinhas que foram derrubadas para construção de mega empreendimentos, o garoto comendo pastei 8h30 da manhã, as capas de revista nas bancas..
Na corrida eu corro, na caminhada eu observo. E, quando chego em casa, sinto que toda essa observação, de alguma maneira, me alimentou. Como se tivesse recolhido pequenos fragmentos da cidade, das pessoas e da vida acontecendo sem a minha participação. É isso que me dá substrato para escrever sobre o mundo lá fora, porque por mais que eu goste de pensar, não dá para escrever apenas à partir de livros e artigos. É preciso sair, andar, olhar para os lados e deixar que a vida dos outros também atravesse a nossa.
Acho que por isso isso a caminhada se tornou algo tão importante para mim. Não apenas como exercício (nem 11h e já estou com 11 mil passos rs), deslocamento ou estratégia de saúde, mas como uma maneira de continuar pertencendo e amando esse mundo cada vez mais difícil de amar.




Aliei o exercício com a observação exatamente nas minhas caminhadas com peso (Rucking)